quarta-feira, 24 de abril de 2013

ATELIÊ



Procuramos investir no ateliê como um espaço onde “as mãos das crianças possam estar ativas para criar o caos” (Malaguzzi, 1999). Sem possibilidade para o tédio, as mãos e as mentes se engajam com uma alegria intensa e libertadora, como a ordenada pela biologia e pela evolução, gerando complexidade e novas ferramentas para o pensamento.
    Neste lugar procuramos permitir novas combinações e possibilidades criativas entre as diferentes linguagens (simbólicas) das crianças. Nosso investimento é para que seja um espaço rico em materiais diversificados, ferramentas e profissionais comprometidos com a prática pedagógica voltada para a criança protagonista de sua ação. Porém, não pode e não deve ser um espaço privilegiado, como se apenas ali as linguagens da arte expressiva pudessem ser produzidas.
            Procuramos tornar este espaço num local onde as diferentes linguagens das crianças possam ser exploradas por elas e estudada por nós adultos em uma atmosfera favorável e tranquila. Nesse espaço os adultos e as crianças podem experimentar modalidades, técnicas, instrumentos e materiais alternativos; explorar temas escolhidos por elas ou sugeridos por nós; talvez trabalhar em um grande mural em grupo ou preparar um pôster onde seja feita uma declaração concisa através de palavras e ilustrações, etc. O importante é ajudar as crianças a encontrarem seus próprios estilos de trocar com seus colegas seus talentos e suas descobertas.
            Utilizamos o ateliê precisa como um local para pesquisas. Um espaço para estudar tudo desde as afinidades e oposições de diferentes formas e cores, aos objetivos complexos da narrativa e da argumentação, da transição da expressão de imagens em símbolos até as decodificações.
O uso das linguagens visuais, como a construção de pensamentos e sentimentos dentro de uma educação holística tornando o ateliê um veículo cultural para o desenvolvimento das crianças e dos professores. Este espaço não é demasiadamente estruturado, mas sim mais livre e com maior potencial para a ironia, humor ou prazer.
O ateliê é um local onde as crianças podem tornar-se mestres de vários tipos de técnicas, tais como trabalho com argila, pinturas com várias tintas, texturas e consistências de areias, farinhas, e a principalmente a criação com diferentes tipos de sucatas – usando de todas as linguagens simbólicas. Ajuda o professor a compreender como as crianças inventam veículos autônomos de liberdade expressiva, de liberdade cognitiva, de liberdade simbólica e vias de comunicação. O ateliê tem um efeito importante, provocador e perturbador sobre ideias didáticas ultrapassadas.
A criatividade é parte da formação do indivíduo e como a “leitura” da realidade é uma produção subjetiva e cooperativa isso é um ato criativo. É essencial ter uma autoestima por meninos e meninas, por homens e mulheres, a fim de nos relacionarmos com eles com interesse e curiosidade genuínos.
As produções de algumas crianças podem ser tão originais que pode nos levar a querer compará-las com trabalho de artistas famosos. Contudo, esta espécie de comparação torna-se perigosa e plena de ambiguidade, especialmente se tentamos fazer comparações de uma forma consistente. Isto pode nos levar a conclusões falsas, tais como a de que o comportamento das crianças desdobra-se de um modo inato, ou que o produto é mais importante que o processo. Fazer comparações que vão além de uma simples e divertida semelhança mostra o quanto não conhecemos devidamente as crianças ou os artistas. 


Por outro lado as descobertas artísticas - as inovações conceituais feitas pelos artistas – devem circular entre os adultos e as crianças da escola, porque aprende-se com elas.
O prazer e a diversão devem ser assumidos pelas crianças em seu processo autodirigido de aprendizagem e deve ser compartilhado com o professor.

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