Procuramos investir no ateliê como um espaço onde “as mãos das crianças possam estar ativas para criar o caos” (Malaguzzi, 1999). Sem possibilidade para o tédio, as mãos e as mentes se engajam com uma alegria intensa e libertadora, como a ordenada pela biologia e pela evolução, gerando complexidade e novas ferramentas para o pensamento.
Neste lugar procuramos permitir
novas combinações e possibilidades criativas entre as diferentes linguagens
(simbólicas) das crianças. Nosso investimento é para que seja um espaço rico em
materiais diversificados, ferramentas e profissionais comprometidos com a
prática pedagógica voltada para a criança protagonista de sua ação. Porém, não
pode e não deve ser um espaço privilegiado, como se apenas ali as linguagens da
arte expressiva pudessem ser produzidas.
Procuramos tornar este espaço num
local onde as diferentes linguagens das crianças possam ser exploradas por elas
e estudada por nós adultos em uma atmosfera favorável e tranquila. Nesse espaço
os adultos e as crianças podem experimentar modalidades, técnicas, instrumentos
e materiais alternativos; explorar temas escolhidos por elas ou sugeridos por
nós; talvez trabalhar em um grande mural em grupo ou preparar um pôster onde
seja feita uma declaração concisa através de palavras e ilustrações, etc. O
importante é ajudar as crianças a encontrarem seus próprios estilos de trocar
com seus colegas seus talentos e suas descobertas.
O uso das linguagens visuais, como a construção de pensamentos e
sentimentos dentro de uma educação holística tornando o ateliê um veículo
cultural para o desenvolvimento das crianças e dos professores. Este espaço não
é demasiadamente estruturado, mas sim mais livre e com maior potencial para a
ironia, humor ou prazer.
O ateliê é um local onde as crianças podem tornar-se mestres de vários
tipos de técnicas, tais como trabalho com argila, pinturas com várias tintas,
texturas e consistências de areias, farinhas, e a principalmente a criação com
diferentes tipos de sucatas – usando de todas as linguagens simbólicas. Ajuda o
professor a compreender como as crianças inventam veículos autônomos de
liberdade expressiva, de liberdade cognitiva, de liberdade simbólica e vias de
comunicação. O ateliê tem um efeito importante, provocador e perturbador sobre
ideias didáticas ultrapassadas.
A criatividade é parte da formação do indivíduo e como a “leitura” da
realidade é uma produção subjetiva e cooperativa isso é um ato criativo. É
essencial ter uma autoestima por meninos e meninas, por homens e mulheres, a
fim de nos relacionarmos com eles com interesse e curiosidade genuínos.
As produções de algumas crianças podem ser tão originais que pode nos
levar a querer compará-las com trabalho de artistas famosos. Contudo, esta
espécie de comparação torna-se perigosa e plena de ambiguidade, especialmente
se tentamos fazer comparações de uma forma consistente. Isto pode nos levar a
conclusões falsas, tais como a de que o comportamento das crianças desdobra-se
de um modo inato, ou que o produto é mais importante que o processo. Fazer
comparações que vão além de uma simples e divertida semelhança mostra o quanto
não conhecemos devidamente as crianças ou os artistas.
O prazer e a diversão devem ser assumidos pelas crianças em seu processo
autodirigido de aprendizagem e deve ser compartilhado com o professor.
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